When You Believe- Whitney Houston, Mariah Carey

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sábado, 18 de fevereiro de 2017

25 Dicas para uma casa mais sustentável

25 Dicas para uma casa mais sustentável



Aline Delgado - QUERCUS A.N.C.N.
Comprar, construir ou arrendar uma casa é uma decisão que envolve
muitas questões. Se pretende mudar de casa, é a altura certa para
olhar para o futuro espaço de forma sustentável, para que seja social,
económica e ambientalmente equilibrado.

Comprar, construir ou arrendar uma casa é uma decisão que envolve muitas
e importantes questões. Se pretende mudar de casa, eis a altura certa para
olhar para o futuro espaço de forma mais sustentável. A Quercus vai tentar
ajuda-lo nesta decisão, de forma a torná-la social, económica e
 ambientalmente equilibrada. Apresentando 25 sugestões, vamos tentar
contribuir para que a sua decisão seja o mais próxima dos seus padrões
de conforto, “poupando na sua carteira” ao mesmo tempo que
“poupa no ambiente”!


1. A localização de um edifício é muito importante no que respeita às
 necessidades térmicas do espaço interior. Estas necessidades estão
contempladas no Regulamento de Características de Comportamento
Térmico dos Edifícios (RCCTE), onde se apresentam estratégias que
contribuem significativamente para a melhoria do desempenho térmico
 dos edifícios. Procure aconselhamento especializado para verificar se a
casa que vai habitar cumpre este Regulamento tanto para a situação de
 Verão como para a situação de Inverno.

2. Prefira um local arejado com pouco trânsito automóvel, o que se traduz em
menos poluição e, bem servido de transportes públicos, para que os possa usar
em alternativa. Se lhe for possível habitar próximo do seu local de trabalho,
 desloque-se a pé. Far-lhe-á bem à saúde e contribuirá para um ambiente
mais saudável.


3. O Sol é a nossa maior fonte de energia. Tire disso o melhor proveito
escolhendo uma casa maioritariamente orientada a Sul de molde a
minimizar consideravelmente as necessidades de aquecimento durante a
estação de Inverno. A radiação solar incide nas janelas de vidro e aquece de
 forma natural o espaço interior.

4. Durante a estação de Verão, há que impedir o sol de incidir nas janelas
voltadas a Sul, verifique se as janelas possuem uma protecção pelo lado
exterior: uma pala, persiana ou até vegetação (de folha caduca no Inverno).

5. Se a casa que vai habitar tiver janelas orientadas a nascente (Este)
ou poente (Oeste) necessita obrigatoriamente de persianas exteriores,
pois é nestas orientações que o sol incide mais horizontalmente. É imperativo,
 durante a situação de Verão, correr estas persianas, protegendo o vidro,
pela manhã a Nascente e ao final da tarde a Poente.

6. O lado Norte da casa deve ser reservado a W.C.s, arrumos, ou outras
divisões que necessitem de poucas aberturas (ou mesmo nenhuma) para
o exterior. É nesta orientação que se originam grandes perdas térmicas através
 do vidro durante a estação fria. Se for impossível a escolha de uma casa
 sem divisões orientadas a Norte, então tenha sempre presente esta questão.

7. As fachadas envidraçadas originam grandes ganhos térmicos na estação
 quente e perdas térmicas muito consideráveis durante a estação fria,
o que implica sistemas de climatização adicionais para corrigir este efeito.
A área de envidraçado de uma divisão não deve ultrapassar 15% da área
 de pavimento dessa divisão.


8. Devemos também tirar partido do sol no que respeita a iluminação.
Prefira divisões iluminadas naturalmente para minimizar a necessidade
de iluminação artificial. Existem no mercado equipamentos de transporte
de luz natural para divisões não iluminadas. Este “transformador de luz natural”
 canaliza a luz do exterior para o interior.

9. Sempre que necessária a iluminação artificial, opte por lâmpadas de baixo
consumo e por iluminação localizada (só apenas onde é de facto necessária).
Esta iluminação deverá ser provida de dispositivos para regulação
do ambiente luminoso.

10.
 Se a casa que vai habitar ainda não possui equipamentos
electrodomésticos, prefira, sempre que possível, os de Classe A,
mais eficientes no que respeita ao consumo de energia e ao contrário
do que se pensa não são necessariamente mais caros.


11. A localização e orientação solar, bem como a construção do edifício,
é determinante para se ter uma casa confortável, do ponto de vista térmico.
Verifique na Ficha Técnica da Habitação (FTH) como são as paredes exteriores
 do edifício. Deverá optar por soluções de parede dupla com isolamento
ou parede simples com isolamento pelo exterior da parede.

12. O isolamento térmico adequado é determinante para evitar perdas de
calor no Inverno ou ganhos de calor no Verão, mantendo assim uma
temperatura constante no interior de sua casa. Prefira um material de isolamento
 com um baixo índice de condutibilidade térmica (U-value), mas com baixo
teor de energia incorporada (energia consumida desde a extracção da
matéria prima até ao produto final).

13. Verifique as caixilharias e o vidro. Aquelas com corte térmico
(são fabricadas de forma a promover uma redução da transmissão térmica
 entre 40% a 60%) e vidro duplo são as mais indicadas do ponto de vista
 de conservação de energia. No entanto, deverá optar por caixilharias com
 grelhas de ventilação, para facilitar a renovação do ar.
 
14. Dê especial importância aos materiais utilizados, preferindo os de baixo
impacte ambiental, não só na sua produção, mas também ao longo da sua
vida útil. Informe-se sobre o poder de reutilização ou reciclagem dos
materiais utilizados na sua casa.

15. É importante escolher materiais homologados e/ou com marcação CE e,
nos casos mais importantes, solicitar os certificados de conformidade de
 acordo com as especificações aplicáveis, emitidos por entidades idóneas e
 acreditadas, seguindo as instruções dos fabricantes para a aplicação dos mesmos.

16.
 Verifique se a cobertura do edifício (terraço ou telhado), está adequadamente
 isolada (poderá fazê-lo através da FTH). Prefira um isolamento imputrescível
e resistente à água, preferencialmente colocado sobre a laje e sobre a camada de impermeabilização.

17. Se o pavimento de sua casa estiver em contacto com o solo, opte por
 isolantes térmicos imputrescíveis e resistentes à água, ou pavimentos
com caixa-de-ar e devidamente impermeabilizados para evitar perdas
térmicas ou outras patologias associadas através do solo (estas soluções
construtivas devem vir explicadas na FTH)

18. A renovação do ar interior é muito importante para que se mantenham
as condições de salubridade interior nos edifícios. Uma casa insuficientemente
 ventilada poderá gerar humidade através dos vapores que se formam, afectando
 o conforto ou mesmo a saúde dos habitantes. Verifique se as caixilharias
possuem dispositivos que permitem a ventilação.

19. As cores utilizadas nas fachadas e coberturas também influenciam o
conforto térmico. Seja selectivo na escolha da cor de sua casa, considerando que,
 as cores claras não absorvem tanto o calor como as cores mais escuras
(enquanto uma fachada branca pode absorver só 25% do calor do sol,
a mesma fachada, pintada com cor preta, pode absorver o calor do sol em 90%).


20. Se a casa que pensa habitar está provida de equipamentos que funcionam
 à base de energia renovável, tanto melhor! Se vai construir é altura de os
aplicar. De entre os vários existentes no mercado destacam-se:

Colectores solares térmicos

Estes equipamentos captam a energia do Sol e transformam-na em calor,
permitindo poupar até 70% da energia necessária para o aquecimento de água.
O RCCTE diz que todos os edifícios novos com condições de exposição solar
adequada serão obrigados a ter, sempre que seja tecnicamente viável.

Painéis solares fotovoltaicos

Estes painéis constituem uma das mais promissoras formas de aproveitamento
de energia solar. Por meio do efeito fotovoltaico, a energia contida na luz do Sol
 é convertida em energia eléctrica. Estes sistemas podem ser utilizados em locais
 isolados, sem rede eléctrica, ou como sistemas ligados à rede.

Bombas de calor geotérmicas

São sistemas que aproveitam o calor do interior da Terra para o aquecimento
do ambiente. Actuam como máquinas de transferência de calor. No Inverno,
absorvem o calor da Terra e levam-no para sua casa. No Verão, funcionam
como ar condicionado, retirando o calor de sua casa para arrefece-lo, no solo.
Mini-turbinas eólicas

A energia do vento acciona estes sistemas para fornecer electricidade a uma
micro-escala. Embora as micro-turbinas eólicas mais comuns sejam colocadas
 no terreno, existem umas de pequena dimensão que podem ser colocadas
no topo das habitações. Podem significar uma redução do consumo de electricidade
 de 50% a 90%.

Sistemas de aquecimento a biomassa

A biomassa pressupõe o aproveitamento da matéria orgânica (resíduos
provenientes da limpeza das florestas, da agricultura e dos combustíveis
resultantes da sua transformação). Em casa, este tipo de matéria pode ser utilizada,
 por exemplo, em sistemas de aquecimento, representando importantes
vantagens económicas e ambientais.


21. Existem no mercado torneiras de regulação do fluxo de água, que permitem
 reduzir o caudal estimulando a poupança deste recurso. Se a casa que
vai habitar não possui estas torneiras, existem peças acessórias redutoras de caudal.

22. Verifique se os autoclismos são providos de dispositivos de dupla
 descarga que induzem poupança de água. (Poderá ainda colocar quando possível,
 uma ou duas garrafas de água com areia no interior, dentro do depósito
do seu autoclismo. Isso significa poupar até 3 litros de água por descarga).

23. Se vai construir a sua casa e tem terreno disponível, tem a possibilidade
 de a equipar com mini estações de tratamento de água ou mini cisternas de
armazenamento de águas pluviais, para posteriores utilizações em descargas
 não potáveis (como regas de jardim, autoclismos ou lavagem de automóveis).



24. No caso de vir a habitar um edifício de vários condóminos, verifique se
no prédio existe espaço destinado a contentores adequados à separação
de resíduos domésticos.

25. Dentro de sua própria casa opte sempre por um depósito de resíduos
 domésticos com pelo menos três divisões para estimular a separação
destes resíduos.
 Para terminar, se tiver oportunidade de reabilitar em vez de construir de
novo, e se essa opção for economicamente viável, está desde logo a ter
uma atitude mais sustentável. Reabilitar um edifício existente possibilita a
 diminuição dos impactes resultantes da energia associada à produção de
um novo e da extracção das respectivas matérias-primas, para além de
contrariar a tendência do crescimento urbano excessivo e a ocupação e
impermeabilização de novas áreas de solo importantes para a conservação
 dos valores e equilíbrios naturais e para as várias actividades humanas!


Site: www.quercus.pt

E-mail: construcaosustentavel@quercusancn.org

sexta-feira, 18 de março de 2011

Green Box – Casa Sustentável na Construmat Barcelona

Green Box – Casa Sustentável na Construmat Barcelona

Por Antonio Macêdo Filho
Arquiteto

Neste mês de abril será realizada mais uma Missão Técnica Construmat Barcelona. Na Construmat deste ano será apresentada a casa-conceito Green Box, projetada para alcançar o mais alto nível de sustentabilidade. Visitaremos a feira e a casa no dia 20 de abril. Depois trarei mais informações. Por enquanto trago aqui matéria a respeito deste interessante projeto.
GREEN BOX – A Casa-Jardim sustentável do Futuro



O arquiteto Luis de Garrido apresenta seu mais recente protótipo de casa sustentável, GREEN BOX, na cidade de Nova York (terça-feira, 21 de abril, no Museu GLASSHOUSE, em Chelsea Arts Tower, 545 West 25th Street). A casa será construída em Barcelona na Feira Internacional da Construção “Construmat 2009” (apresentada dia 23 de abril, na feira que se exibe do dia 20 ao 25 de abril, no Recinto Gran Via, Palacio 1, calle Botánica 62, Fira Catalunya, Barcelona).

GREEN BOX é a primeira Casa-Jardim modular, pré-fabricada, reutilizável, transportável, com ciclo de vida infinito, bioclimática, com consumo energético zero, e que não gera resíduos.

Devido às suas avançadas características GREEN BOX se construirá apenas em 15 dias (de 4 a 19 de abril), e o processo poderá ser visto em tempo real pela internet.

O edifício inclui no seu interior uma Exposição Multimídia de Projetos de Arquitetura Sustentável e de Habitação Social Sustentável, de Luis de Garrido (“Arquiteto do ano 2008” pela ISBA) “Naturezas Artificiais VI”.

…………………………………………………………………………………………………………………

A Associação Nacional de Arquitetura Sustentável (ANAS), junto com a Associação Nacional para a Casa do Futuro (ANAVIF) e o Diretório Nacional de Empresas para a Arquitetura Sustentável (DINAS) apresenta no próximo dia 20 de abril esta especial casa que, sem dúvida, será o centro de atenções da Feira “Construmat 2009”.

Desenhada pelo arquiteto Luis de Garrido (recentemente eleito como “Arquiteto do ano 2008” pela Internacional Steel Building Association ISBA, e o Americam Institute of Architects AIA), a casa poderia ser uma referência internacional de arquitetura sustentável, já que cumpre de forma exaustiva com todos os indicadores de arquitetura sustentável conhecidos. De fato, Luis de Garrido afirma que GREEN-BOX é o edifício que mais se aproxima ao seu modelo conceitual e arquitetônico de “Naturezas Artificiais”.

Além de seu caráter totalmente ecológico, a casa é muito econômica. Sua construção custa metade da construção de uma casa convencional, aproximadamente 550 euros/m2, pelo que poderá ser convertida num modelo construtivo para o novo sistema social e econômico.

A casa tem um consumo energético zero de energias convencionais, e se auto-regula termicamente devido ao seu desenho bioclimático, e ao seu ótimo aproveitamento de energia geotérmica e solar. Do mesmo modo, o desenho e construção da casa foi realizado com o objetivo de reduzir ao máximo seu consumo energético, tanto no processo de construção, como no processo de desmontagem.

Todos os componentes da casa foram desenhados de forma modular para serem montados “a seco”. Desse modo, tanto na construção quanto na desmontagem não gera nenhum resíduo, e todas as peças poderão ser novamente reutilizadas.

Assim, reparando ou substituindo cada uma das peças, a casa tem um ciclo de vida infinito. Ou seja, sua vida útil é infinita.

A estrutura da casa foi realizada com painéis pré-moldados em concreto armado, painéis estruturados de madeira e concreto e painéis metálicos. Todos eles com o objetivo de representar, num mesmo edifício, o três sistemas mais adequados de construção modular pré-fabricada (metal, madeira e concreto).

Não obstante, e apesar de todas as características descritas, sem dúvida, o elemento mais importante e singular do GREEN BOX é a cobertura ajardinada inclinada e o jardim vertical.

Ambos jardins foram compostos a base de espécies vegetais nativas do mediterrâneo, o que assegura que necessitem de mínima água (neste caso chuva), e que sua beleza seja permanente, todos os dias do ano. Conseqüentemente não necessitam de manutenção.

A cobertura ajardinada inclinada permite que a casa se integre à qualquer entorno, já que se estabelece como prolongação do solo circundante. Ao contrário, o jardim vertical erguesse com orgulho, reconhecido como ícone da casa. Este jardim vertical se encontra no pátio interior.

Devido à suas avançadas características GREEN BOX se construirá em apenas 15 dias, na cidade de Barcelona. Será desmontada em 7 dias, e será transportada a Toledo, onde permanecerá de forma definitiva.

Mais informações sobre a Missão Técnica Construmat Barcelona em:
www.camaradearquitetos.com.br/turismo/barcelona/index.php

Fonte: amacedofilho.blogspot.com

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Jorge Graça Costa recebeu o Prémio de Bronze na categoria Green Applications dos GAVA Awards 2010


Foto: FG+SG

A Casa DT (na foto) do arquitecto Jorge Graça Costa recebeu o Prémio de Bronze na categoria Green Applications dos GAVA Awards 2010, um Prémio internacional que pretende distinguir “designers de todas as disciplinas com os mais inovadores conceitos, materiais e aplicações de designs inspirados ou que integrem o elemento "Água".

De acordo com a sinopse do projecto, a Casa DT é "um exemplo de aplicação dos princípios de eficiência energética na arquitectura. É um objecto simples, compacto, que integra tecnologias de construção acessíveis, com soluções de design inteligente e soluções de desenho adequadas ao enquadramento local, às suas características de exposição e clima.

O projecto reflecte preocupações de utilização racional da água e consumo de energia, integrando soluções de aquecimento e arrefecimento passivo como uma alternativa a mais activa tecnologias energeticamente dependente.

A iluminação natural é potenciada pelas aberturas mais generosas que servem o piso térreo em conjunto com a luz reflectida da piscina, onde se localizam as zonas de maior permanência.

O objectivo principal foi a utilização da água da piscina como um elemento regulador térmico na arquitectura, utilizando a água como um elemento artístico plástico construído, enquadrado em uma estratégia de eficiência energética, com uma abordagem sustentável e ecológica.

Para além do cenário dramático a colocação estratégica da piscina junto à fachada Sul, permite o arrefecimento do interior graças ao fenómeno de arrefecimento evaporativo em conjunto com as brisas marítimas que fazem sentir naquele local.

A água da piscina, não utiliza tratamentos químicos para que possa ser reutilizada para outros fins.

O projecto da Casa DT demonstra bem como a eficácia energética resulta não tanto da exibição de meios – tecnológicos ou materiais - mas da sua capacidade em responder racionalmente às muitas exigências que a vivência humana lhe coloca".

Mais infomações em: http://www.gavaawards.com/

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Lareiras Ecológicas Bioétanol

Lareiras Ecológicas Bioétanol
O novo prazer da chama a pensar em si !


A BioChama® tem o prazer de vos propor uma variedade de bio-lareiras decorativas e inovadoras que permite juntar o útil ao agradável : calor e ecodesign.



Os nossos modelos funcionam com bioétanol, uma energia renovável 100% natural de origem biológica e agrícola (beterraba, cana de açucar) destilado finamento, só libertam vapor de água e gás carbónico (equivale 3 velas de cera), sendo este totalmente inofensivo, não necessitam de qualquer conduta de exaustão, não libertam nem cheiro, nem fumo, nem cinzas !



O design foi criado para uma decoração interior ou exterior, o que permite um ambiente mais requintado e caloroso.



Na vossa casa, apartamento ou escritório, as bio-lareiras adaptam-se com facilidade ao vosso interior : numa parede, para separar uma divisão, para inserir numa chaminé existente, ou simplesmente para colocar no chão.




Preços à partir de 380,00 Euros, indicados na ficha descritiva de cada modelo.

Dedutível no IRS 30 %


Visite esta página para mais informações:
http://www.1.biochama.com/

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Casas amigas do ambiente

Apesar das inúmeras vantagens, a esmagadora maioria dos edifícios construídos em Portugal não tira partido da arquitectura bioclimática.

Texto de Marisa Antunes

São edifícios energeticamente mais inteligentes e, acima de tudo, onde impera a comodidade térmica. Quentinhas no Inverno, frescas no Verão, sem problemas de acústica e ruídos, as casas construídas a partir dos princípios da arquitectura bioclimática só oferecem vantagens — mas, mesmo assim, ainda não conquistaram o espaço que deveriam ter no universo habitacional português.
“Não existe qualquer justificação para que um edifício elaborado de raiz com estratégias bioclimáticas se torne mais dispendioso ou esteticamente menos atraente que outro que não as incorpore. A eficiência energética começa logo na planificação, mais propriamente na fase de projecto, pois recorrendo-se aos princípios básicos da arquitectura bioclimática é possível, sem acréscimos de custos, conceber soluções que proporcionem de forma natura1 o conforto ambiental do edifício, tanto térmico como acústico ou de luminosidade, que de outra forma só seria possível actuando activamente sobre o edifício”, explica o arquitecto Jorge Graça Costa, que foi premiado no concurso de ideias de eficiência energética, ‘International Design Competition Osaka, Energy, Sustainable and Enjoyable Life’, organizado pela Japan Design.

Lívia Tirone, uma das maiores especialistas em arquitectura bioclimática em Portugal, reforça: “Quanto mais a montante e mais cedo se decide que é relevante a optimização do desempenho energético-ambiental do edifício, menos impacto tem esta decisão sobre o custo global da obra”.

Lembrando que “apenas a falta de conhecimento limita ainda adesão dos portugueses a este tipo de a arquitectura”, a responsável do atelier Tirone Nunes salienta que a opção pela construção sustentável tem vantagens inquantificáveis “no conforto e na saúde das pessoas, que por sua vez resultam num menor absentismo”.

Além da “maximização do conforto ambiental (térmico, visual e acústico), interior e exterior” , Livia Tirone destaca ainda a importância da “selecção dos a materiais tendo em consideração a sua durabilidade, (possibilidade de reutilização, reciclagem e impacte sobre a qualidade doar interior”.

Jorge Graça Costa exemplifica com o projecto Jardim de infância e escola básica do Alto da Faia, em Telheiras, da autoria dos arquitectos Jorge Conceição e Rui Orfão, no qual também ele colaborou e que acabaria vencedor do ‘Prémio DGE 2003 Eficiência Energética em Edifícios’.

Este edifício, com 3500m2 de área de construção e localizado numa colina, apresenta uma implantação triangular. “Na sua concepção manteve-se a morfologia do terreno, desenvolvendo-se o edifício sobre pequenas plataformas desniveladas, a fim de manter as cotas existentes e permitir usufruir da insolação e da amp1a vista que o local oferece”, aponta Jorge Graça Costa.

“O projecto da escola foi fortemente marcado pela de optimizar as condições de iluminação natural. Todas as salas de aula estão viradas a Sul, dispondo de amplos envidraçados com adequadas protecções solares interiores e exteriores, o que permite obter níveis de iluminação adequados e evitar situações de encadeamento, promovendo assim o conforto térmico e visual dos utilizadores”, pormenoriza. E lembra que o custo de construção por metro quadrado do edifício enquadra-se na média do custo de construção para aquele tipo de equipamentos.

Nos espaços de duplo pé-direito, além dos vãos a nível inferior foram instalados vãos envidraçados nas áreas superiores das fachadas, permitindo aumentar a profundidade da incidência solar no edifício. Nas fachadas Sul, as protecções solares horizontais permitem reflectir para o interior dos espaços alguma da iluminação natural. No edifício existem também pontualmente soluções de iluminação zenital.

Cuidados de construção que já estão a render. Mais precisamente oito mil euros por ano é o valor da poupança em sistemas de aquecimento e arrefecimento. “Este exemplo comprova que a introdução de estratégias passivas, de modo sensato, na elaboração do projecto de um edifício permite alcançar consideráveis poupanças energéticas”, conclui o especialista.

in Expresso de 9 de Fevereiro de 2007

Arquitecto Jorge Graça Costa: Casa DT

Jorge Graça Costa: Casa DT
(o Arquitecto que eu mais admiro, logo neste meu blog, não posso deixar de mencionar a sua obra e o seu trabalho, como noutros blogs que tenho)










A edificação tem impactos muito variados sobre o ambiente. Na escolha de materiais e processos construtivos estabelecem-se consequências quanto a métodos de extracção dos seus componentes, aos mecanismos da sua transformação, a gastos de energia e emissões associadas, e posteriormente quanto a requisitos de manutenção, demolição, reciclagem. No entanto, raras vezes essas preocupações são consideradas por aqueles que promovem os edifícios ou pelos técnicos que os projectam.
O ambiente construído é um bem relativamente duradouro. A maioria dos edifícios dura muitas décadas, tornando-se importante considerar desde o início o seu longo ciclo de vida. As decisões de projecto não devem por isso reflectir apenas a tentativa de minimizar os custos iniciais da construção, pois vão afectar os consumos de energia que dela vão resultar, a sua capacidade de resistir aos factores de exposição natural e envelhecimento; e até quanto à sua adequabilidade a novos usos não previstos.

A questão da energia é, de todas estas, uma das mais prementes e ameaçadoras para a manutenção de uma boa qualidade de vida. A pressão exercida pelo preço dos combustíveis, as flutuações na oferta e as considerações ambientais que lhe estão associadas fazem com que também na arquitectura este seja um tema merecedor de crescente atenção. Os edifícios consomem uma boa fatia da produção energética de cada país. Melhorar a eficiência dos edifícios quanto ao seu aproveitamento é por isso um objectivo que ninguém pode descurar.

A adequação do desenho de um edifício a características que proporcionem uma melhor eficiência energética não requer necessariamente o aumento significativo de custos de construção. Muitos dos princípios que hoje se categorizam no âmbito da sustentabilidade reflectem preocupações de relação com o território sempre presentes na arquitectura. Mas exige-se hoje que essa prática não dependa apenas de uma intuição empírica, traduzindo-a tanto em conhecimento técnico sistematizado como numa maior exigência quanto aos padrões de qualidade que tutelam a indústria da construção.

A Casa DT, situada em Oeiras, é um exemplo interessante de um projecto que reflecte na sua base muitas destas preocupações. Projectada pelo arquitecto Jorge Graça Costa, trata-se de um objecto compacto que integra tecnologias de construção acessíveis com soluções de desenho adequadas ao enquadramento local, às suas características de exposição e clima.
Este jovem arquitecto português interessou-se desde cedo pela importância da sustentabilidade e eficiência energética em arquitectura. Desenvolveu um trabalho de investigação na área da arquitectura bioclimática, sendo igualmente premiado em diversos concursos nacionais e internacionais. Destaca-se, como mais notável, a medalha de ouro recebida em 2005 no concurso internacional de design promovido pela Fundação Japonesa de Design - exactamente sob o tema «Energy – Sustainable and Enjoyable Life».
O projecto da Casa DT demonstra bem como a eficácia energética resulta não tanto da exibição de meios – tecnológicos ou materiais - mas da sua capacidade em responder racionalmente às muitas exigências que a vivência humana lhe coloca. A casa está implantada num topo de colina com vistas desafogadas sobre a paisagem, o que permite explorar a relação de vistas e o contraste entre espaços sociais (nível inferior) e espaços privados (nível superior) – conjugados em dois volumes que se destacam e servem de motivo à composição. Tomando por base a configuração regular do lote, o edifício acaba por definir-se como objecto simples e compacto, sobressaindo a expressão da estrutura visível e a diferenciação de materiais utilizados. O desenho reflecte preocupações de utilização racional da energia quanto à relação do volume interior de ar e ao funcionamento passivo do edifício no aquecimento e arrefecimento, sem dependência regular de tecnologias activas para manter níveis de conforto satisfatórios. A iluminação natural é potenciada pelas aberturas mais generosas que servem o piso térreo, onde se localizam as zonas de maior permanência, e a iluminação artificial assenta em sistemas de baixo consumo.
Dos traços de concepção da arquitectura à definição adequada de soluções complementares mais específicas, a Casa DT demonstra que é possível conjugar as particularidades locais a materiais e tecnologias contemporâneas, garantindo a coesão entre bom desenho e bom conforto humano. O resultado é notável pela simplicidade, sentido de economia e racionalidade na gestão de recursos, em respeito pelos valores maiores da sustentabilidade ambiental que a motivam.

Jorge Graça Costa: DT House
The act of building has multiple impacts on the environment. There are many consequences to the kind of constructive processes and components applied in architecture: from the extraction of raw materials, transformation and manufacturing impacts, to energy costs and associated emissions, following to requirements on maintenance, demolishing, recycling. And yet, often, these factors are not considered by those who promote buildings or by those who design them.
The built environment is a long-lasting resource. Most buildings survive for many decades. Therefore, it is important to consider that long life-span, right from the beginning. Design decisions shouldn’t reflect a simple attempt to minimize initial construction costs; since those decisions will affect its future energy demands, its resistance to aging and other natural factors, its adaptability to alternate, unpredicted uses.
Energy is a pressing issue regarding the maintenance of a good standard of living. Fuel prices, fluctuations in demand, environmental implications, are among the many factors that have contributed to a new global awareness. Since buildings absorb a great deal of every country’s energy production, architecture is now becoming a central discipline in the debate for sustainability.

The DT House is an interesting example of applied energy-efficient principles in architecture. Designed by Jorge Graça Costa, it’s a simple, compact object that integrates accessible construction technologies with smart design solutions.
This young portuguese architect was soon interested by the implications of sustainability and energy efficiency in architecture. He developed an investigation practice in the field of bio-climatic architecture, receiving several awards for national and international competitions. Most noticeably, he won a gold medal for his participation in the International Design Competition Osaka 2005, promoted by the Japan Design Foundation under the theme «Energy – Sustainable and Enjoyable Life».
The DT House project was built on top of a hill, benefiting from open views over the surrounding landscape. Its composition explores the contrast between the social areas of the lower level and the private areas located on the upper floor. These result in distinctive volumes that are enhanced by the visibility of its structure and the different materials applied as external texture.
The design reflects the requirements of rational energy use, integrating solutions of passive cooling and heating as an alternative to more active, energy-dependent technologies. Natural lighting is also enhanced to better serve the lower level, where the social, collective functions, are located. Artificial lighting is supported by low consumption systems.
From the architectural design to the adequate definition of particular solutions, the DT House shows that it’s possible to integrate contemporary technologies and sustainable design solutions – good design as the support to good human comfort. The result is remarkable for its simplicity, sense of adequacy and economy, respecting the greater values of environmental sustainability that served as inspiration.

Architecture: Jorge Graça Costa.
Photography: Fernando Guerra (FG+SG).




Entrevista com o Arq.º Jorge Graça Costa


“ O FUTURO É A ARQUITECTURA BIOCLIMÁTICA = ALTA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA = AO PRAZER DE HOJE, SEM COMPROMETER O FUTURO ”

Jorge Graça Moura, o nosso entrevistado, não perca:

Arq.º Jorge Graça Costa
JORGE GRAÇA COSTA trabalha na área da sustentabilidade e eficiência energética dos edifícios. Concluiu o mestrado em ARQUITECTURA BIOCLIMÁTICA na Faculdade de Arquitectura de Lisboa (tese na área da Sustentabilidade e Eficiência Energética dos Edifícios) em 2006. Licenciou-se na Universidade Lusíada em 1998. No ano seguinte, iniciou a actividade por conta própria, sendo autor de vários projectos na área da sustentabilidade e da eficiência energética de edifícios.

Em 2004, venceu, em colaboração com os arquitectos Jorge Conceição e Rui órfão, o Prémio da Direcção-Geral de Geologia e Energia – Eficiência Energética de Edifícios (atribuído ao Jardim-de-infância e Escola do Ensino Básico do Alto da Faia, em Telheiras, Lisboa).

Em 2006, venceu a medalha de ouro “GOLD PRIZE - MINISTER OF ECONOMY, TRADE AND INDUSTRY PRIZE” do concurso internacional de design organizado pela Fundação Japonesa de Design e entidades governamentais nipónicas, que tinha por tema: Energy – Sustainable and Enjoyable Life (Energia - Vida sustentável).


Saint Gobain Glass – O que é a Arquitectura Sustentável?

Jorge Graça Costa – Para entendermos o que é a Arquitectura Sustentável temos que perceber primeiro o que é de facto o desenvolvimento sustentável e o desenvolvimento sustentável poderá ser definido muito resumidamente como a melhoria da qualidade de vida a curto prazo, sem comprometer a qualidade de vida a longo prazo. Pode-se ainda considerar que a sustentabilidade abrange três vectores distintos – vector ambiental, vector social e vector económico.

A arquitectura sustentável é então aquela que engloba de uma forma holística estes três vectores tendo como condição primária o objectivo de que todos os membros da sociedade possam determinar e atingir as suas necessidades sem comprometer a possibilidade das gerações futuras poderem atingir as suas.

SGG – E como se enquadra nesse contexto a Arquitectura Bioclimática?

JGC – Discute-se cada vez mais a racionalização da energia e, por outro lado, o consumo de energia aumenta na mesma proporção em que as condições de habitabilidade exigem uma climatização mais eficaz, aumentando consequentemente o consumo dos recursos naturais. É ainda de assinalar, o crescente consumo de energia eléctrica no arrefecimento e na iluminação dos edifícios modernos, mais comandados pelas cargas internas e ainda penalizados pela forte radiação solar, pois são muitas vezes projectados menosprezando o clima. A busca de soluções inovadoras e de uma organização espacial, nem sempre tem em mente a preocupação ambiental da racionalização de energia e do conforto do utilizador.

A aplicação de princípios bioclimáticos em edifícios é um factor essencial para a redução do consumo energético e das emissões de Carbono no sector dos edifícios. A Arquitectura bioclimática é aquela que, durante o projecto do edifício, tem em conta as condições climáticas a que estará sujeito o edifício e a utilização de sistemas solares passivos, de forma a aumentar a eficiência energética. A Arquitectura Bioclimática (arquitectura da alta eficiência energética) pressupõe a satisfação de exigências de conforto térmico de modo sustentável, isto é, moderação na utilização de recursos energéticos e contenção na degradação ambiental. Como tal, e sabendo que um edifício bioclimático pode consumir 10 vezes menos energia para aquecimento do que um edifício convencional, este tipo de arquitectura revela-se uma boa opção para o aumento da eficiência energética dos edifícios. O custo adicional de um edifício bioclimático ronda os 3-5% para edifícios novos. Este investimento inicial será amortizado em poucos anos tendo em conta a vida útil do edifício pelo que, em termos ambientais e em termos económicos, os edifícios bioclimáticos são largamente compensadores.

SGG – Como se enquadra a sua arquitectura e estas preocupações de um modo efectivo? Pode-nos dar um exemplo concreto?

JGC – Quando inicio qualquer projecto, independentemente da sua escala, tenho sempre presente a definição de sustentabilidade existente no relatório ”Our Common Future” de 1987, elaborado pela Sr.ª Primeira-Ministra Norueguesa, Gro Brundtland: “O desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as nossas necessidades sem comprometer a possibilidade das futuras gerações satisfazerem as suas.”

Pressupõe-se então que o ideal será o edifício resistir à passagem do tempo, adaptar-se a diferentes necessidades, permitindo a continuidade da sua função e eventualmente comportar diferentes usos, integrando uma visão holística de sustentabilidade incorporando em todo o processo uma gestão racional dos recursos como a energia, a água e impacto dos matérias utilizados na construção (entre outros factores a ter em linha de conta).

Foi com base nestas premissas que foi elaborado o projecto Casa DT, um edifício unifamiliar localizado em Oeiras, este projecto de Arquitectura Sustentável foi desenvolvido com directrizes muito fortes em relação ao respeito pelo ambiente e eficiência energética e pretende incorporar, à sua escala, uma forte mensagem em prol da sustentabilidade.

Este projecto comprova que é possível através da gestão racional dos recursos, exploração do potencial climático do local, dos materiais e tecnologias modernas garantir a integração do conforto humano na habitação. A conjectura destes factores traduziu-se numa notável mais valia a nível da economia de projecto e da sustentabilidade ambiental através da gestão racional dos recursos ambientais e energéticos.

SGG – Qual é o estado da arte para a resolução desta problemática?

JGC – A concepção de edifícios tem sofrido uma importante transformação devido aos aspectos energéticos e ambientais que lhes estão associados. O Protocolo de Quioto impõe um tecto nas emissões para a atmosfera de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo aumento do efeito de estufa que contribuem para o aquecimento global. Para isso, impõe-se a criação de mecanismos de actuação e a definição de políticas de curto e médio prazo que reduzam as emissões daqueles gases. Este grande objectivo é portanto um compromisso nacional que tem de envolver toda a sociedade, sob a liderança da Administração, a quem compete coordenar todas as acções que levem ao resultado desejado.

O dióxido de carbono, o mais representativo de entre os gases que contribuem para o aquecimento global, resulta essencialmente da combustão de combustíveis fósseis, para a produção de calor e de electricidade ou fonte motriz nos transportes. Dado que a energia é repartida pelos vários sectores de actividade, nomeadamente a indústria, os edifícios (residenciais e de serviços) e os transportes, torna-se necessário estabelecer medidas de actuação, de âmbito sectorial, que conduzam ao estabelecimento de "quotas" de emissões por sector, para que seja possível gerir a respectiva contribuição para o objectivo global.

Portugal é um país fortemente dependente das importações de combustíveis fósseis (Petróleo, Carvão e Gás Natural). . O actual modelo baseado na queima de combustíveis fosseis é insustentável. A alternativa é mudarmos o paradigma e apoiarmos um modelo energético baseado na eficiência energética e nas energias renováveis. O que poderá ser fortemente impulsionado com a legislação em vigor do novo RCCTE.

SGG – E para onde vamos? Quais são as “novas” boas práticas que o mercado implica e reclama sobre esta matéria?

JGC – Sempre defendi que cabe aos Arquitectos, durante o acto da concepção arquitectónica inovar e modernizar, mas para além disso deverão incluir procedimentos projectuais que permitam a racionalização dos recursos energéticos, proporcionando um Desenvolvimento Sustentável com base na Eficiência Energética, recorrendo à gestão racional dos recursos apoiado por fontes de energia renováveis tirando proveito dos benefícios económicos e ambientais que daí poderão advir.

A elaboração de projectos de Arquitectura justifica ainda uma crescente reflexão sobre o modo como os técnicos encaram o desenvolvimento dos mesmos. Tendo em conta as condições climáticas locais, conforto no interior dos edifício e a rentabilidade económica do mesmo, a legislação recentemente aprovada, tem como objectivo promover a melhoria do desempenho energético dos edifícios tornando simultaneamente obrigatório a sistemas de energia solar térmica devido aos benefícios ambientais e económicos obtidos.

SGG – Como relaciona a Arquitectura Sustentável com o vidro? E como o tema se relaciona com estas novas boas práticas?

JGC – Um dos factores ambientais a de a ter em linha de conta em qualquer projecto é a relação visual interior/exterior e a maximização da iluminação natural, contribuindo para a diminuição dos consumos em iluminação artificial, o que é conseguido através de elementos translúcidos (elementos não opacos), a solução mais eficaz para satisfazer este requisito é a incorporação de elementos vítreos na construção.

O vidro é considerado como envolvente não-opaca no entanto é de notar que as principais trocas térmicas numa edificação acontecem geralmente a partir destes elementos transparentes como as janelas, clarabóia (iluminação zenital), e outros. Trocas por condução e convecção (comportamento semelhante ao dos elementos opacos mas com a possibilidade do controlo das trocas de ar entre o interior e exterior, abrindo ou fechando estes elementos).

A radiação é de longe o principal factor a ter em linha de conta porque uma parcela significativa é transmitida para o interior do edifício. O que pode ser um grande aliado a nível da Arquitectura Bioclimática quando estes elementos são bem orientados e bem dimensionados, pois permite ganhos solares no Inverno o que ajuda a manter as temperaturas interiores próximas da zona de conforto térmico. No Verão o uso de protecções solares em elementos não opacos é um recurso importante para reduzir os ganhos térmicos excessivos e o melhor modo de protecção é a protecção externa (fixas ou móveis) dimensionada adequadamente, podem garantir a redução da incidência da radiação quando necessária sem interferir na iluminação natural.

Existem diferentes tipos de vidros, com capacidades distintas pois podem absorver, reflectir ou transmitir radiação solar. No projecto da Casa DT (Casa Sustentável em Oeiras) o projecto acompanhado pela equipa técnica da SGG desde o inicio tendo em vista a eficiência energética e o conforto térmico como um objectivo primordial a atingir, com este objectivo em mente foram estudadas em conjunto pelo atelier com o valioso acompanhamento da SGG, as melhores soluções atendendo à dimensão e orientação dos vãos, permitindo deste modo ganhos solares muito significativos no Inverno a Sul. Este e outros factores tidos em linha de conta no projecto permitiram verificar (através de uma simulação dinâmica) que a Casa DT necessita 3 vezes menos energia no Inverno e 4 vezes menos energia no Verão, quando comparada com uma casa de igual valência, o que na prática se traduz em ausência de necessidades de arrefecimento n Verão e uma diminuição significativa de consumos energético (quase inexistentes) para o aquecimento no Inverno. A poupança de consumos energéticos (aquecimento, arrefecimento e iluminação) foi convertida em emissões de CO2 calculadas segundo o Protocolo de Gases de Efeito de Estufa (GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard), sendo evitadas o total de 8 toneladas de emissões de CO2.

Calculando o efeito cumulativo de emissões de gases com efeito de estufa (CO2) até 2050. Verifica-se que a Casa DT poupará cumulativamente até 2050 cerca de 350 toneladas de CO2, quando comparada com uma casa de igual valência, o que é realmente significativo se pensarmos nestes números a uma escala maior.

Casas bioclimáticas são mais confortáveis

Casas bioclimáticas são mais confortáveis
Os edifícios bioclimáticos permitem um ambiente mais confortável e gastam menos energia, sendo mais económicos, mas os portugueses ainda resistem a optar por estas casas, por falta de sensibilização e também pelo preço inicial, que pode ser mais elevado, escreve a Lusa.

A orientação do edifício, com as divisões mais utilizadas viradas a sul, a distribuição das áreas envidraçadas, a ventilação e a forma de utilizar os materiais são factores decisivos para obter uma casa bioclimática, ou seja, uma casa que «responde» bem às condições do clima, sem grandes necessidades energéticas.

Porém, na hora de comprar um imóvel, os portugueses não questionam a eficiência energética da construção, como já fazem quando adquirem um frigorífico, por exemplo. Estão mais preocupados com o preço e a localização do novo lar.

Segundo alguns técnicos do sector, as casas bioclimáticas apresentam um preço inicial mais elevado, um acréscimo recuperado a médio ou longo prazo, com a redução dos custos energéticos. Outras opiniões referem que se trata de usar os mesmos materiais, mas de forma diferente, o que não implica aumento de investimento.

“A arquitetura bioclimática consiste em projectar um edifício tendo em conta a sua envolvência climatérica e as características do local» de modo a «maximizar o conforto ambiental no interior”, na temperatura e humidade, mas também na acústica, luminosidade e qualidade do ar, referiu à Lusa o director técnico da consultora Carbono Verde, Pedro Carvalho.

Pretende-se “ter o máximo conforto térmico com o mínimo consumo de energia”, resumiu o técnico, salientando que não basta passar a habitar um edifício bioclimático, é “fundamental” que os consumidores saibam utilizá-lo, caso contrário “pode gastar-se tanto como uma casa não bioclimática”.

O responsável pelo sistema de avaliação de sustentabilidade LiderA, Manuel Pinheiro, defendeu que “fazer casas bioclimáticas não é mais caro do que fazer das outras”, já que se trata de optar por uma forma de construção, tendo cuidado com alguns pontos, como a orientação do edifício ou o isolamento. No entanto, “tem de ser pensado no projecto”.
Manuel Pinheiro realçou que a construção tradicional, que atendia às condições do clima, perdeu terreno, “mas está a ser retomada, a diferentes níveis” e começa a haver no mercado procura para este tipo de casa.

Fonte: Diário IOL - http://diario.iol.pt/