Apesar das inúmeras vantagens, a esmagadora maioria dos edifícios construídos em Portugal não tira partido da arquitectura bioclimática.
Texto de Marisa Antunes
São edifícios energeticamente mais inteligentes e, acima de tudo, onde impera a comodidade térmica. Quentinhas no Inverno, frescas no Verão, sem problemas de acústica e ruídos, as casas construídas a partir dos princípios da arquitectura bioclimática só oferecem vantagens — mas, mesmo assim, ainda não conquistaram o espaço que deveriam ter no universo habitacional português.
“Não existe qualquer justificação para que um edifício elaborado de raiz com estratégias bioclimáticas se torne mais dispendioso ou esteticamente menos atraente que outro que não as incorpore. A eficiência energética começa logo na planificação, mais propriamente na fase de projecto, pois recorrendo-se aos princípios básicos da arquitectura bioclimática é possível, sem acréscimos de custos, conceber soluções que proporcionem de forma natura1 o conforto ambiental do edifício, tanto térmico como acústico ou de luminosidade, que de outra forma só seria possível actuando activamente sobre o edifício”, explica o arquitecto Jorge Graça Costa, que foi premiado no concurso de ideias de eficiência energética, ‘International Design Competition Osaka, Energy, Sustainable and Enjoyable Life’, organizado pela Japan Design.
Lívia Tirone, uma das maiores especialistas em arquitectura bioclimática em Portugal, reforça: “Quanto mais a montante e mais cedo se decide que é relevante a optimização do desempenho energético-ambiental do edifício, menos impacto tem esta decisão sobre o custo global da obra”.
Lembrando que “apenas a falta de conhecimento limita ainda adesão dos portugueses a este tipo de a arquitectura”, a responsável do atelier Tirone Nunes salienta que a opção pela construção sustentável tem vantagens inquantificáveis “no conforto e na saúde das pessoas, que por sua vez resultam num menor absentismo”.
Além da “maximização do conforto ambiental (térmico, visual e acústico), interior e exterior” , Livia Tirone destaca ainda a importância da “selecção dos a materiais tendo em consideração a sua durabilidade, (possibilidade de reutilização, reciclagem e impacte sobre a qualidade doar interior”.
Jorge Graça Costa exemplifica com o projecto Jardim de infância e escola básica do Alto da Faia, em Telheiras, da autoria dos arquitectos Jorge Conceição e Rui Orfão, no qual também ele colaborou e que acabaria vencedor do ‘Prémio DGE 2003 Eficiência Energética em Edifícios’.
Este edifício, com 3500m2 de área de construção e localizado numa colina, apresenta uma implantação triangular. “Na sua concepção manteve-se a morfologia do terreno, desenvolvendo-se o edifício sobre pequenas plataformas desniveladas, a fim de manter as cotas existentes e permitir usufruir da insolação e da amp1a vista que o local oferece”, aponta Jorge Graça Costa.
“O projecto da escola foi fortemente marcado pela de optimizar as condições de iluminação natural. Todas as salas de aula estão viradas a Sul, dispondo de amplos envidraçados com adequadas protecções solares interiores e exteriores, o que permite obter níveis de iluminação adequados e evitar situações de encadeamento, promovendo assim o conforto térmico e visual dos utilizadores”, pormenoriza. E lembra que o custo de construção por metro quadrado do edifício enquadra-se na média do custo de construção para aquele tipo de equipamentos.
Nos espaços de duplo pé-direito, além dos vãos a nível inferior foram instalados vãos envidraçados nas áreas superiores das fachadas, permitindo aumentar a profundidade da incidência solar no edifício. Nas fachadas Sul, as protecções solares horizontais permitem reflectir para o interior dos espaços alguma da iluminação natural. No edifício existem também pontualmente soluções de iluminação zenital.
Cuidados de construção que já estão a render. Mais precisamente oito mil euros por ano é o valor da poupança em sistemas de aquecimento e arrefecimento. “Este exemplo comprova que a introdução de estratégias passivas, de modo sensato, na elaboração do projecto de um edifício permite alcançar consideráveis poupanças energéticas”, conclui o especialista.
in Expresso de 9 de Fevereiro de 2007
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Arquitecto Jorge Graça Costa: Casa DT
Jorge Graça Costa: Casa DT
(o Arquitecto que eu mais admiro, logo neste meu blog, não posso deixar de mencionar a sua obra e o seu trabalho, como noutros blogs que tenho)






A edificação tem impactos muito variados sobre o ambiente. Na escolha de materiais e processos construtivos estabelecem-se consequências quanto a métodos de extracção dos seus componentes, aos mecanismos da sua transformação, a gastos de energia e emissões associadas, e posteriormente quanto a requisitos de manutenção, demolição, reciclagem. No entanto, raras vezes essas preocupações são consideradas por aqueles que promovem os edifícios ou pelos técnicos que os projectam.
O ambiente construído é um bem relativamente duradouro. A maioria dos edifícios dura muitas décadas, tornando-se importante considerar desde o início o seu longo ciclo de vida. As decisões de projecto não devem por isso reflectir apenas a tentativa de minimizar os custos iniciais da construção, pois vão afectar os consumos de energia que dela vão resultar, a sua capacidade de resistir aos factores de exposição natural e envelhecimento; e até quanto à sua adequabilidade a novos usos não previstos.
A questão da energia é, de todas estas, uma das mais prementes e ameaçadoras para a manutenção de uma boa qualidade de vida. A pressão exercida pelo preço dos combustíveis, as flutuações na oferta e as considerações ambientais que lhe estão associadas fazem com que também na arquitectura este seja um tema merecedor de crescente atenção. Os edifícios consomem uma boa fatia da produção energética de cada país. Melhorar a eficiência dos edifícios quanto ao seu aproveitamento é por isso um objectivo que ninguém pode descurar.
A adequação do desenho de um edifício a características que proporcionem uma melhor eficiência energética não requer necessariamente o aumento significativo de custos de construção. Muitos dos princípios que hoje se categorizam no âmbito da sustentabilidade reflectem preocupações de relação com o território sempre presentes na arquitectura. Mas exige-se hoje que essa prática não dependa apenas de uma intuição empírica, traduzindo-a tanto em conhecimento técnico sistematizado como numa maior exigência quanto aos padrões de qualidade que tutelam a indústria da construção.
A Casa DT, situada em Oeiras, é um exemplo interessante de um projecto que reflecte na sua base muitas destas preocupações. Projectada pelo arquitecto Jorge Graça Costa, trata-se de um objecto compacto que integra tecnologias de construção acessíveis com soluções de desenho adequadas ao enquadramento local, às suas características de exposição e clima.
Este jovem arquitecto português interessou-se desde cedo pela importância da sustentabilidade e eficiência energética em arquitectura. Desenvolveu um trabalho de investigação na área da arquitectura bioclimática, sendo igualmente premiado em diversos concursos nacionais e internacionais. Destaca-se, como mais notável, a medalha de ouro recebida em 2005 no concurso internacional de design promovido pela Fundação Japonesa de Design - exactamente sob o tema «Energy – Sustainable and Enjoyable Life».
O projecto da Casa DT demonstra bem como a eficácia energética resulta não tanto da exibição de meios – tecnológicos ou materiais - mas da sua capacidade em responder racionalmente às muitas exigências que a vivência humana lhe coloca. A casa está implantada num topo de colina com vistas desafogadas sobre a paisagem, o que permite explorar a relação de vistas e o contraste entre espaços sociais (nível inferior) e espaços privados (nível superior) – conjugados em dois volumes que se destacam e servem de motivo à composição. Tomando por base a configuração regular do lote, o edifício acaba por definir-se como objecto simples e compacto, sobressaindo a expressão da estrutura visível e a diferenciação de materiais utilizados. O desenho reflecte preocupações de utilização racional da energia quanto à relação do volume interior de ar e ao funcionamento passivo do edifício no aquecimento e arrefecimento, sem dependência regular de tecnologias activas para manter níveis de conforto satisfatórios. A iluminação natural é potenciada pelas aberturas mais generosas que servem o piso térreo, onde se localizam as zonas de maior permanência, e a iluminação artificial assenta em sistemas de baixo consumo.
Dos traços de concepção da arquitectura à definição adequada de soluções complementares mais específicas, a Casa DT demonstra que é possível conjugar as particularidades locais a materiais e tecnologias contemporâneas, garantindo a coesão entre bom desenho e bom conforto humano. O resultado é notável pela simplicidade, sentido de economia e racionalidade na gestão de recursos, em respeito pelos valores maiores da sustentabilidade ambiental que a motivam.
Jorge Graça Costa: DT House
The act of building has multiple impacts on the environment. There are many consequences to the kind of constructive processes and components applied in architecture: from the extraction of raw materials, transformation and manufacturing impacts, to energy costs and associated emissions, following to requirements on maintenance, demolishing, recycling. And yet, often, these factors are not considered by those who promote buildings or by those who design them.
The built environment is a long-lasting resource. Most buildings survive for many decades. Therefore, it is important to consider that long life-span, right from the beginning. Design decisions shouldn’t reflect a simple attempt to minimize initial construction costs; since those decisions will affect its future energy demands, its resistance to aging and other natural factors, its adaptability to alternate, unpredicted uses.
Energy is a pressing issue regarding the maintenance of a good standard of living. Fuel prices, fluctuations in demand, environmental implications, are among the many factors that have contributed to a new global awareness. Since buildings absorb a great deal of every country’s energy production, architecture is now becoming a central discipline in the debate for sustainability.
The DT House is an interesting example of applied energy-efficient principles in architecture. Designed by Jorge Graça Costa, it’s a simple, compact object that integrates accessible construction technologies with smart design solutions.
This young portuguese architect was soon interested by the implications of sustainability and energy efficiency in architecture. He developed an investigation practice in the field of bio-climatic architecture, receiving several awards for national and international competitions. Most noticeably, he won a gold medal for his participation in the International Design Competition Osaka 2005, promoted by the Japan Design Foundation under the theme «Energy – Sustainable and Enjoyable Life».
The DT House project was built on top of a hill, benefiting from open views over the surrounding landscape. Its composition explores the contrast between the social areas of the lower level and the private areas located on the upper floor. These result in distinctive volumes that are enhanced by the visibility of its structure and the different materials applied as external texture.
The design reflects the requirements of rational energy use, integrating solutions of passive cooling and heating as an alternative to more active, energy-dependent technologies. Natural lighting is also enhanced to better serve the lower level, where the social, collective functions, are located. Artificial lighting is supported by low consumption systems.
From the architectural design to the adequate definition of particular solutions, the DT House shows that it’s possible to integrate contemporary technologies and sustainable design solutions – good design as the support to good human comfort. The result is remarkable for its simplicity, sense of adequacy and economy, respecting the greater values of environmental sustainability that served as inspiration.
Architecture: Jorge Graça Costa.
Photography: Fernando Guerra (FG+SG).
Entrevista com o Arq.º Jorge Graça Costa

“ O FUTURO É A ARQUITECTURA BIOCLIMÁTICA = ALTA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA = AO PRAZER DE HOJE, SEM COMPROMETER O FUTURO ”
Jorge Graça Moura, o nosso entrevistado, não perca:
Arq.º Jorge Graça Costa
JORGE GRAÇA COSTA trabalha na área da sustentabilidade e eficiência energética dos edifícios. Concluiu o mestrado em ARQUITECTURA BIOCLIMÁTICA na Faculdade de Arquitectura de Lisboa (tese na área da Sustentabilidade e Eficiência Energética dos Edifícios) em 2006. Licenciou-se na Universidade Lusíada em 1998. No ano seguinte, iniciou a actividade por conta própria, sendo autor de vários projectos na área da sustentabilidade e da eficiência energética de edifícios.
Em 2004, venceu, em colaboração com os arquitectos Jorge Conceição e Rui órfão, o Prémio da Direcção-Geral de Geologia e Energia – Eficiência Energética de Edifícios (atribuído ao Jardim-de-infância e Escola do Ensino Básico do Alto da Faia, em Telheiras, Lisboa).
Em 2006, venceu a medalha de ouro “GOLD PRIZE - MINISTER OF ECONOMY, TRADE AND INDUSTRY PRIZE” do concurso internacional de design organizado pela Fundação Japonesa de Design e entidades governamentais nipónicas, que tinha por tema: Energy – Sustainable and Enjoyable Life (Energia - Vida sustentável).
Saint Gobain Glass – O que é a Arquitectura Sustentável?
Jorge Graça Costa – Para entendermos o que é a Arquitectura Sustentável temos que perceber primeiro o que é de facto o desenvolvimento sustentável e o desenvolvimento sustentável poderá ser definido muito resumidamente como a melhoria da qualidade de vida a curto prazo, sem comprometer a qualidade de vida a longo prazo. Pode-se ainda considerar que a sustentabilidade abrange três vectores distintos – vector ambiental, vector social e vector económico.
A arquitectura sustentável é então aquela que engloba de uma forma holística estes três vectores tendo como condição primária o objectivo de que todos os membros da sociedade possam determinar e atingir as suas necessidades sem comprometer a possibilidade das gerações futuras poderem atingir as suas.
SGG – E como se enquadra nesse contexto a Arquitectura Bioclimática?
JGC – Discute-se cada vez mais a racionalização da energia e, por outro lado, o consumo de energia aumenta na mesma proporção em que as condições de habitabilidade exigem uma climatização mais eficaz, aumentando consequentemente o consumo dos recursos naturais. É ainda de assinalar, o crescente consumo de energia eléctrica no arrefecimento e na iluminação dos edifícios modernos, mais comandados pelas cargas internas e ainda penalizados pela forte radiação solar, pois são muitas vezes projectados menosprezando o clima. A busca de soluções inovadoras e de uma organização espacial, nem sempre tem em mente a preocupação ambiental da racionalização de energia e do conforto do utilizador.
A aplicação de princípios bioclimáticos em edifícios é um factor essencial para a redução do consumo energético e das emissões de Carbono no sector dos edifícios. A Arquitectura bioclimática é aquela que, durante o projecto do edifício, tem em conta as condições climáticas a que estará sujeito o edifício e a utilização de sistemas solares passivos, de forma a aumentar a eficiência energética. A Arquitectura Bioclimática (arquitectura da alta eficiência energética) pressupõe a satisfação de exigências de conforto térmico de modo sustentável, isto é, moderação na utilização de recursos energéticos e contenção na degradação ambiental. Como tal, e sabendo que um edifício bioclimático pode consumir 10 vezes menos energia para aquecimento do que um edifício convencional, este tipo de arquitectura revela-se uma boa opção para o aumento da eficiência energética dos edifícios. O custo adicional de um edifício bioclimático ronda os 3-5% para edifícios novos. Este investimento inicial será amortizado em poucos anos tendo em conta a vida útil do edifício pelo que, em termos ambientais e em termos económicos, os edifícios bioclimáticos são largamente compensadores.
SGG – Como se enquadra a sua arquitectura e estas preocupações de um modo efectivo? Pode-nos dar um exemplo concreto?
JGC – Quando inicio qualquer projecto, independentemente da sua escala, tenho sempre presente a definição de sustentabilidade existente no relatório ”Our Common Future” de 1987, elaborado pela Sr.ª Primeira-Ministra Norueguesa, Gro Brundtland: “O desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as nossas necessidades sem comprometer a possibilidade das futuras gerações satisfazerem as suas.”
Pressupõe-se então que o ideal será o edifício resistir à passagem do tempo, adaptar-se a diferentes necessidades, permitindo a continuidade da sua função e eventualmente comportar diferentes usos, integrando uma visão holística de sustentabilidade incorporando em todo o processo uma gestão racional dos recursos como a energia, a água e impacto dos matérias utilizados na construção (entre outros factores a ter em linha de conta).
Foi com base nestas premissas que foi elaborado o projecto Casa DT, um edifício unifamiliar localizado em Oeiras, este projecto de Arquitectura Sustentável foi desenvolvido com directrizes muito fortes em relação ao respeito pelo ambiente e eficiência energética e pretende incorporar, à sua escala, uma forte mensagem em prol da sustentabilidade.
Este projecto comprova que é possível através da gestão racional dos recursos, exploração do potencial climático do local, dos materiais e tecnologias modernas garantir a integração do conforto humano na habitação. A conjectura destes factores traduziu-se numa notável mais valia a nível da economia de projecto e da sustentabilidade ambiental através da gestão racional dos recursos ambientais e energéticos.
SGG – Qual é o estado da arte para a resolução desta problemática?
JGC – A concepção de edifícios tem sofrido uma importante transformação devido aos aspectos energéticos e ambientais que lhes estão associados. O Protocolo de Quioto impõe um tecto nas emissões para a atmosfera de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo aumento do efeito de estufa que contribuem para o aquecimento global. Para isso, impõe-se a criação de mecanismos de actuação e a definição de políticas de curto e médio prazo que reduzam as emissões daqueles gases. Este grande objectivo é portanto um compromisso nacional que tem de envolver toda a sociedade, sob a liderança da Administração, a quem compete coordenar todas as acções que levem ao resultado desejado.
O dióxido de carbono, o mais representativo de entre os gases que contribuem para o aquecimento global, resulta essencialmente da combustão de combustíveis fósseis, para a produção de calor e de electricidade ou fonte motriz nos transportes. Dado que a energia é repartida pelos vários sectores de actividade, nomeadamente a indústria, os edifícios (residenciais e de serviços) e os transportes, torna-se necessário estabelecer medidas de actuação, de âmbito sectorial, que conduzam ao estabelecimento de "quotas" de emissões por sector, para que seja possível gerir a respectiva contribuição para o objectivo global.
Portugal é um país fortemente dependente das importações de combustíveis fósseis (Petróleo, Carvão e Gás Natural). . O actual modelo baseado na queima de combustíveis fosseis é insustentável. A alternativa é mudarmos o paradigma e apoiarmos um modelo energético baseado na eficiência energética e nas energias renováveis. O que poderá ser fortemente impulsionado com a legislação em vigor do novo RCCTE.
SGG – E para onde vamos? Quais são as “novas” boas práticas que o mercado implica e reclama sobre esta matéria?
JGC – Sempre defendi que cabe aos Arquitectos, durante o acto da concepção arquitectónica inovar e modernizar, mas para além disso deverão incluir procedimentos projectuais que permitam a racionalização dos recursos energéticos, proporcionando um Desenvolvimento Sustentável com base na Eficiência Energética, recorrendo à gestão racional dos recursos apoiado por fontes de energia renováveis tirando proveito dos benefícios económicos e ambientais que daí poderão advir.
A elaboração de projectos de Arquitectura justifica ainda uma crescente reflexão sobre o modo como os técnicos encaram o desenvolvimento dos mesmos. Tendo em conta as condições climáticas locais, conforto no interior dos edifício e a rentabilidade económica do mesmo, a legislação recentemente aprovada, tem como objectivo promover a melhoria do desempenho energético dos edifícios tornando simultaneamente obrigatório a sistemas de energia solar térmica devido aos benefícios ambientais e económicos obtidos.
SGG – Como relaciona a Arquitectura Sustentável com o vidro? E como o tema se relaciona com estas novas boas práticas?
JGC – Um dos factores ambientais a de a ter em linha de conta em qualquer projecto é a relação visual interior/exterior e a maximização da iluminação natural, contribuindo para a diminuição dos consumos em iluminação artificial, o que é conseguido através de elementos translúcidos (elementos não opacos), a solução mais eficaz para satisfazer este requisito é a incorporação de elementos vítreos na construção.
O vidro é considerado como envolvente não-opaca no entanto é de notar que as principais trocas térmicas numa edificação acontecem geralmente a partir destes elementos transparentes como as janelas, clarabóia (iluminação zenital), e outros. Trocas por condução e convecção (comportamento semelhante ao dos elementos opacos mas com a possibilidade do controlo das trocas de ar entre o interior e exterior, abrindo ou fechando estes elementos).
A radiação é de longe o principal factor a ter em linha de conta porque uma parcela significativa é transmitida para o interior do edifício. O que pode ser um grande aliado a nível da Arquitectura Bioclimática quando estes elementos são bem orientados e bem dimensionados, pois permite ganhos solares no Inverno o que ajuda a manter as temperaturas interiores próximas da zona de conforto térmico. No Verão o uso de protecções solares em elementos não opacos é um recurso importante para reduzir os ganhos térmicos excessivos e o melhor modo de protecção é a protecção externa (fixas ou móveis) dimensionada adequadamente, podem garantir a redução da incidência da radiação quando necessária sem interferir na iluminação natural.
Existem diferentes tipos de vidros, com capacidades distintas pois podem absorver, reflectir ou transmitir radiação solar. No projecto da Casa DT (Casa Sustentável em Oeiras) o projecto acompanhado pela equipa técnica da SGG desde o inicio tendo em vista a eficiência energética e o conforto térmico como um objectivo primordial a atingir, com este objectivo em mente foram estudadas em conjunto pelo atelier com o valioso acompanhamento da SGG, as melhores soluções atendendo à dimensão e orientação dos vãos, permitindo deste modo ganhos solares muito significativos no Inverno a Sul. Este e outros factores tidos em linha de conta no projecto permitiram verificar (através de uma simulação dinâmica) que a Casa DT necessita 3 vezes menos energia no Inverno e 4 vezes menos energia no Verão, quando comparada com uma casa de igual valência, o que na prática se traduz em ausência de necessidades de arrefecimento n Verão e uma diminuição significativa de consumos energético (quase inexistentes) para o aquecimento no Inverno. A poupança de consumos energéticos (aquecimento, arrefecimento e iluminação) foi convertida em emissões de CO2 calculadas segundo o Protocolo de Gases de Efeito de Estufa (GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard), sendo evitadas o total de 8 toneladas de emissões de CO2.
Calculando o efeito cumulativo de emissões de gases com efeito de estufa (CO2) até 2050. Verifica-se que a Casa DT poupará cumulativamente até 2050 cerca de 350 toneladas de CO2, quando comparada com uma casa de igual valência, o que é realmente significativo se pensarmos nestes números a uma escala maior.
(o Arquitecto que eu mais admiro, logo neste meu blog, não posso deixar de mencionar a sua obra e o seu trabalho, como noutros blogs que tenho)






A edificação tem impactos muito variados sobre o ambiente. Na escolha de materiais e processos construtivos estabelecem-se consequências quanto a métodos de extracção dos seus componentes, aos mecanismos da sua transformação, a gastos de energia e emissões associadas, e posteriormente quanto a requisitos de manutenção, demolição, reciclagem. No entanto, raras vezes essas preocupações são consideradas por aqueles que promovem os edifícios ou pelos técnicos que os projectam.
O ambiente construído é um bem relativamente duradouro. A maioria dos edifícios dura muitas décadas, tornando-se importante considerar desde o início o seu longo ciclo de vida. As decisões de projecto não devem por isso reflectir apenas a tentativa de minimizar os custos iniciais da construção, pois vão afectar os consumos de energia que dela vão resultar, a sua capacidade de resistir aos factores de exposição natural e envelhecimento; e até quanto à sua adequabilidade a novos usos não previstos.
A questão da energia é, de todas estas, uma das mais prementes e ameaçadoras para a manutenção de uma boa qualidade de vida. A pressão exercida pelo preço dos combustíveis, as flutuações na oferta e as considerações ambientais que lhe estão associadas fazem com que também na arquitectura este seja um tema merecedor de crescente atenção. Os edifícios consomem uma boa fatia da produção energética de cada país. Melhorar a eficiência dos edifícios quanto ao seu aproveitamento é por isso um objectivo que ninguém pode descurar.
A adequação do desenho de um edifício a características que proporcionem uma melhor eficiência energética não requer necessariamente o aumento significativo de custos de construção. Muitos dos princípios que hoje se categorizam no âmbito da sustentabilidade reflectem preocupações de relação com o território sempre presentes na arquitectura. Mas exige-se hoje que essa prática não dependa apenas de uma intuição empírica, traduzindo-a tanto em conhecimento técnico sistematizado como numa maior exigência quanto aos padrões de qualidade que tutelam a indústria da construção.
A Casa DT, situada em Oeiras, é um exemplo interessante de um projecto que reflecte na sua base muitas destas preocupações. Projectada pelo arquitecto Jorge Graça Costa, trata-se de um objecto compacto que integra tecnologias de construção acessíveis com soluções de desenho adequadas ao enquadramento local, às suas características de exposição e clima.
Este jovem arquitecto português interessou-se desde cedo pela importância da sustentabilidade e eficiência energética em arquitectura. Desenvolveu um trabalho de investigação na área da arquitectura bioclimática, sendo igualmente premiado em diversos concursos nacionais e internacionais. Destaca-se, como mais notável, a medalha de ouro recebida em 2005 no concurso internacional de design promovido pela Fundação Japonesa de Design - exactamente sob o tema «Energy – Sustainable and Enjoyable Life».
O projecto da Casa DT demonstra bem como a eficácia energética resulta não tanto da exibição de meios – tecnológicos ou materiais - mas da sua capacidade em responder racionalmente às muitas exigências que a vivência humana lhe coloca. A casa está implantada num topo de colina com vistas desafogadas sobre a paisagem, o que permite explorar a relação de vistas e o contraste entre espaços sociais (nível inferior) e espaços privados (nível superior) – conjugados em dois volumes que se destacam e servem de motivo à composição. Tomando por base a configuração regular do lote, o edifício acaba por definir-se como objecto simples e compacto, sobressaindo a expressão da estrutura visível e a diferenciação de materiais utilizados. O desenho reflecte preocupações de utilização racional da energia quanto à relação do volume interior de ar e ao funcionamento passivo do edifício no aquecimento e arrefecimento, sem dependência regular de tecnologias activas para manter níveis de conforto satisfatórios. A iluminação natural é potenciada pelas aberturas mais generosas que servem o piso térreo, onde se localizam as zonas de maior permanência, e a iluminação artificial assenta em sistemas de baixo consumo.
Dos traços de concepção da arquitectura à definição adequada de soluções complementares mais específicas, a Casa DT demonstra que é possível conjugar as particularidades locais a materiais e tecnologias contemporâneas, garantindo a coesão entre bom desenho e bom conforto humano. O resultado é notável pela simplicidade, sentido de economia e racionalidade na gestão de recursos, em respeito pelos valores maiores da sustentabilidade ambiental que a motivam.
Jorge Graça Costa: DT House
The act of building has multiple impacts on the environment. There are many consequences to the kind of constructive processes and components applied in architecture: from the extraction of raw materials, transformation and manufacturing impacts, to energy costs and associated emissions, following to requirements on maintenance, demolishing, recycling. And yet, often, these factors are not considered by those who promote buildings or by those who design them.
The built environment is a long-lasting resource. Most buildings survive for many decades. Therefore, it is important to consider that long life-span, right from the beginning. Design decisions shouldn’t reflect a simple attempt to minimize initial construction costs; since those decisions will affect its future energy demands, its resistance to aging and other natural factors, its adaptability to alternate, unpredicted uses.
Energy is a pressing issue regarding the maintenance of a good standard of living. Fuel prices, fluctuations in demand, environmental implications, are among the many factors that have contributed to a new global awareness. Since buildings absorb a great deal of every country’s energy production, architecture is now becoming a central discipline in the debate for sustainability.
The DT House is an interesting example of applied energy-efficient principles in architecture. Designed by Jorge Graça Costa, it’s a simple, compact object that integrates accessible construction technologies with smart design solutions.
This young portuguese architect was soon interested by the implications of sustainability and energy efficiency in architecture. He developed an investigation practice in the field of bio-climatic architecture, receiving several awards for national and international competitions. Most noticeably, he won a gold medal for his participation in the International Design Competition Osaka 2005, promoted by the Japan Design Foundation under the theme «Energy – Sustainable and Enjoyable Life».
The DT House project was built on top of a hill, benefiting from open views over the surrounding landscape. Its composition explores the contrast between the social areas of the lower level and the private areas located on the upper floor. These result in distinctive volumes that are enhanced by the visibility of its structure and the different materials applied as external texture.
The design reflects the requirements of rational energy use, integrating solutions of passive cooling and heating as an alternative to more active, energy-dependent technologies. Natural lighting is also enhanced to better serve the lower level, where the social, collective functions, are located. Artificial lighting is supported by low consumption systems.
From the architectural design to the adequate definition of particular solutions, the DT House shows that it’s possible to integrate contemporary technologies and sustainable design solutions – good design as the support to good human comfort. The result is remarkable for its simplicity, sense of adequacy and economy, respecting the greater values of environmental sustainability that served as inspiration.
Architecture: Jorge Graça Costa.
Photography: Fernando Guerra (FG+SG).
Entrevista com o Arq.º Jorge Graça Costa

“ O FUTURO É A ARQUITECTURA BIOCLIMÁTICA = ALTA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA = AO PRAZER DE HOJE, SEM COMPROMETER O FUTURO ”
Jorge Graça Moura, o nosso entrevistado, não perca:
Arq.º Jorge Graça Costa
JORGE GRAÇA COSTA trabalha na área da sustentabilidade e eficiência energética dos edifícios. Concluiu o mestrado em ARQUITECTURA BIOCLIMÁTICA na Faculdade de Arquitectura de Lisboa (tese na área da Sustentabilidade e Eficiência Energética dos Edifícios) em 2006. Licenciou-se na Universidade Lusíada em 1998. No ano seguinte, iniciou a actividade por conta própria, sendo autor de vários projectos na área da sustentabilidade e da eficiência energética de edifícios.
Em 2004, venceu, em colaboração com os arquitectos Jorge Conceição e Rui órfão, o Prémio da Direcção-Geral de Geologia e Energia – Eficiência Energética de Edifícios (atribuído ao Jardim-de-infância e Escola do Ensino Básico do Alto da Faia, em Telheiras, Lisboa).
Em 2006, venceu a medalha de ouro “GOLD PRIZE - MINISTER OF ECONOMY, TRADE AND INDUSTRY PRIZE” do concurso internacional de design organizado pela Fundação Japonesa de Design e entidades governamentais nipónicas, que tinha por tema: Energy – Sustainable and Enjoyable Life (Energia - Vida sustentável).
Saint Gobain Glass – O que é a Arquitectura Sustentável?
Jorge Graça Costa – Para entendermos o que é a Arquitectura Sustentável temos que perceber primeiro o que é de facto o desenvolvimento sustentável e o desenvolvimento sustentável poderá ser definido muito resumidamente como a melhoria da qualidade de vida a curto prazo, sem comprometer a qualidade de vida a longo prazo. Pode-se ainda considerar que a sustentabilidade abrange três vectores distintos – vector ambiental, vector social e vector económico.
A arquitectura sustentável é então aquela que engloba de uma forma holística estes três vectores tendo como condição primária o objectivo de que todos os membros da sociedade possam determinar e atingir as suas necessidades sem comprometer a possibilidade das gerações futuras poderem atingir as suas.
SGG – E como se enquadra nesse contexto a Arquitectura Bioclimática?
JGC – Discute-se cada vez mais a racionalização da energia e, por outro lado, o consumo de energia aumenta na mesma proporção em que as condições de habitabilidade exigem uma climatização mais eficaz, aumentando consequentemente o consumo dos recursos naturais. É ainda de assinalar, o crescente consumo de energia eléctrica no arrefecimento e na iluminação dos edifícios modernos, mais comandados pelas cargas internas e ainda penalizados pela forte radiação solar, pois são muitas vezes projectados menosprezando o clima. A busca de soluções inovadoras e de uma organização espacial, nem sempre tem em mente a preocupação ambiental da racionalização de energia e do conforto do utilizador.
A aplicação de princípios bioclimáticos em edifícios é um factor essencial para a redução do consumo energético e das emissões de Carbono no sector dos edifícios. A Arquitectura bioclimática é aquela que, durante o projecto do edifício, tem em conta as condições climáticas a que estará sujeito o edifício e a utilização de sistemas solares passivos, de forma a aumentar a eficiência energética. A Arquitectura Bioclimática (arquitectura da alta eficiência energética) pressupõe a satisfação de exigências de conforto térmico de modo sustentável, isto é, moderação na utilização de recursos energéticos e contenção na degradação ambiental. Como tal, e sabendo que um edifício bioclimático pode consumir 10 vezes menos energia para aquecimento do que um edifício convencional, este tipo de arquitectura revela-se uma boa opção para o aumento da eficiência energética dos edifícios. O custo adicional de um edifício bioclimático ronda os 3-5% para edifícios novos. Este investimento inicial será amortizado em poucos anos tendo em conta a vida útil do edifício pelo que, em termos ambientais e em termos económicos, os edifícios bioclimáticos são largamente compensadores.
SGG – Como se enquadra a sua arquitectura e estas preocupações de um modo efectivo? Pode-nos dar um exemplo concreto?
JGC – Quando inicio qualquer projecto, independentemente da sua escala, tenho sempre presente a definição de sustentabilidade existente no relatório ”Our Common Future” de 1987, elaborado pela Sr.ª Primeira-Ministra Norueguesa, Gro Brundtland: “O desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as nossas necessidades sem comprometer a possibilidade das futuras gerações satisfazerem as suas.”
Pressupõe-se então que o ideal será o edifício resistir à passagem do tempo, adaptar-se a diferentes necessidades, permitindo a continuidade da sua função e eventualmente comportar diferentes usos, integrando uma visão holística de sustentabilidade incorporando em todo o processo uma gestão racional dos recursos como a energia, a água e impacto dos matérias utilizados na construção (entre outros factores a ter em linha de conta).
Foi com base nestas premissas que foi elaborado o projecto Casa DT, um edifício unifamiliar localizado em Oeiras, este projecto de Arquitectura Sustentável foi desenvolvido com directrizes muito fortes em relação ao respeito pelo ambiente e eficiência energética e pretende incorporar, à sua escala, uma forte mensagem em prol da sustentabilidade.
Este projecto comprova que é possível através da gestão racional dos recursos, exploração do potencial climático do local, dos materiais e tecnologias modernas garantir a integração do conforto humano na habitação. A conjectura destes factores traduziu-se numa notável mais valia a nível da economia de projecto e da sustentabilidade ambiental através da gestão racional dos recursos ambientais e energéticos.
SGG – Qual é o estado da arte para a resolução desta problemática?
JGC – A concepção de edifícios tem sofrido uma importante transformação devido aos aspectos energéticos e ambientais que lhes estão associados. O Protocolo de Quioto impõe um tecto nas emissões para a atmosfera de dióxido de carbono e outros gases responsáveis pelo aumento do efeito de estufa que contribuem para o aquecimento global. Para isso, impõe-se a criação de mecanismos de actuação e a definição de políticas de curto e médio prazo que reduzam as emissões daqueles gases. Este grande objectivo é portanto um compromisso nacional que tem de envolver toda a sociedade, sob a liderança da Administração, a quem compete coordenar todas as acções que levem ao resultado desejado.
O dióxido de carbono, o mais representativo de entre os gases que contribuem para o aquecimento global, resulta essencialmente da combustão de combustíveis fósseis, para a produção de calor e de electricidade ou fonte motriz nos transportes. Dado que a energia é repartida pelos vários sectores de actividade, nomeadamente a indústria, os edifícios (residenciais e de serviços) e os transportes, torna-se necessário estabelecer medidas de actuação, de âmbito sectorial, que conduzam ao estabelecimento de "quotas" de emissões por sector, para que seja possível gerir a respectiva contribuição para o objectivo global.
Portugal é um país fortemente dependente das importações de combustíveis fósseis (Petróleo, Carvão e Gás Natural). . O actual modelo baseado na queima de combustíveis fosseis é insustentável. A alternativa é mudarmos o paradigma e apoiarmos um modelo energético baseado na eficiência energética e nas energias renováveis. O que poderá ser fortemente impulsionado com a legislação em vigor do novo RCCTE.
SGG – E para onde vamos? Quais são as “novas” boas práticas que o mercado implica e reclama sobre esta matéria?
JGC – Sempre defendi que cabe aos Arquitectos, durante o acto da concepção arquitectónica inovar e modernizar, mas para além disso deverão incluir procedimentos projectuais que permitam a racionalização dos recursos energéticos, proporcionando um Desenvolvimento Sustentável com base na Eficiência Energética, recorrendo à gestão racional dos recursos apoiado por fontes de energia renováveis tirando proveito dos benefícios económicos e ambientais que daí poderão advir.
A elaboração de projectos de Arquitectura justifica ainda uma crescente reflexão sobre o modo como os técnicos encaram o desenvolvimento dos mesmos. Tendo em conta as condições climáticas locais, conforto no interior dos edifício e a rentabilidade económica do mesmo, a legislação recentemente aprovada, tem como objectivo promover a melhoria do desempenho energético dos edifícios tornando simultaneamente obrigatório a sistemas de energia solar térmica devido aos benefícios ambientais e económicos obtidos.
SGG – Como relaciona a Arquitectura Sustentável com o vidro? E como o tema se relaciona com estas novas boas práticas?
JGC – Um dos factores ambientais a de a ter em linha de conta em qualquer projecto é a relação visual interior/exterior e a maximização da iluminação natural, contribuindo para a diminuição dos consumos em iluminação artificial, o que é conseguido através de elementos translúcidos (elementos não opacos), a solução mais eficaz para satisfazer este requisito é a incorporação de elementos vítreos na construção.
O vidro é considerado como envolvente não-opaca no entanto é de notar que as principais trocas térmicas numa edificação acontecem geralmente a partir destes elementos transparentes como as janelas, clarabóia (iluminação zenital), e outros. Trocas por condução e convecção (comportamento semelhante ao dos elementos opacos mas com a possibilidade do controlo das trocas de ar entre o interior e exterior, abrindo ou fechando estes elementos).
A radiação é de longe o principal factor a ter em linha de conta porque uma parcela significativa é transmitida para o interior do edifício. O que pode ser um grande aliado a nível da Arquitectura Bioclimática quando estes elementos são bem orientados e bem dimensionados, pois permite ganhos solares no Inverno o que ajuda a manter as temperaturas interiores próximas da zona de conforto térmico. No Verão o uso de protecções solares em elementos não opacos é um recurso importante para reduzir os ganhos térmicos excessivos e o melhor modo de protecção é a protecção externa (fixas ou móveis) dimensionada adequadamente, podem garantir a redução da incidência da radiação quando necessária sem interferir na iluminação natural.
Existem diferentes tipos de vidros, com capacidades distintas pois podem absorver, reflectir ou transmitir radiação solar. No projecto da Casa DT (Casa Sustentável em Oeiras) o projecto acompanhado pela equipa técnica da SGG desde o inicio tendo em vista a eficiência energética e o conforto térmico como um objectivo primordial a atingir, com este objectivo em mente foram estudadas em conjunto pelo atelier com o valioso acompanhamento da SGG, as melhores soluções atendendo à dimensão e orientação dos vãos, permitindo deste modo ganhos solares muito significativos no Inverno a Sul. Este e outros factores tidos em linha de conta no projecto permitiram verificar (através de uma simulação dinâmica) que a Casa DT necessita 3 vezes menos energia no Inverno e 4 vezes menos energia no Verão, quando comparada com uma casa de igual valência, o que na prática se traduz em ausência de necessidades de arrefecimento n Verão e uma diminuição significativa de consumos energético (quase inexistentes) para o aquecimento no Inverno. A poupança de consumos energéticos (aquecimento, arrefecimento e iluminação) foi convertida em emissões de CO2 calculadas segundo o Protocolo de Gases de Efeito de Estufa (GHG Protocol Corporate Accounting and Reporting Standard), sendo evitadas o total de 8 toneladas de emissões de CO2.
Calculando o efeito cumulativo de emissões de gases com efeito de estufa (CO2) até 2050. Verifica-se que a Casa DT poupará cumulativamente até 2050 cerca de 350 toneladas de CO2, quando comparada com uma casa de igual valência, o que é realmente significativo se pensarmos nestes números a uma escala maior.
Casas bioclimáticas são mais confortáveis
Casas bioclimáticas são mais confortáveis
Os edifícios bioclimáticos permitem um ambiente mais confortável e gastam menos energia, sendo mais económicos, mas os portugueses ainda resistem a optar por estas casas, por falta de sensibilização e também pelo preço inicial, que pode ser mais elevado, escreve a Lusa.
A orientação do edifício, com as divisões mais utilizadas viradas a sul, a distribuição das áreas envidraçadas, a ventilação e a forma de utilizar os materiais são factores decisivos para obter uma casa bioclimática, ou seja, uma casa que «responde» bem às condições do clima, sem grandes necessidades energéticas.
Porém, na hora de comprar um imóvel, os portugueses não questionam a eficiência energética da construção, como já fazem quando adquirem um frigorífico, por exemplo. Estão mais preocupados com o preço e a localização do novo lar.
Segundo alguns técnicos do sector, as casas bioclimáticas apresentam um preço inicial mais elevado, um acréscimo recuperado a médio ou longo prazo, com a redução dos custos energéticos. Outras opiniões referem que se trata de usar os mesmos materiais, mas de forma diferente, o que não implica aumento de investimento.
“A arquitetura bioclimática consiste em projectar um edifício tendo em conta a sua envolvência climatérica e as características do local» de modo a «maximizar o conforto ambiental no interior”, na temperatura e humidade, mas também na acústica, luminosidade e qualidade do ar, referiu à Lusa o director técnico da consultora Carbono Verde, Pedro Carvalho.
Pretende-se “ter o máximo conforto térmico com o mínimo consumo de energia”, resumiu o técnico, salientando que não basta passar a habitar um edifício bioclimático, é “fundamental” que os consumidores saibam utilizá-lo, caso contrário “pode gastar-se tanto como uma casa não bioclimática”.
O responsável pelo sistema de avaliação de sustentabilidade LiderA, Manuel Pinheiro, defendeu que “fazer casas bioclimáticas não é mais caro do que fazer das outras”, já que se trata de optar por uma forma de construção, tendo cuidado com alguns pontos, como a orientação do edifício ou o isolamento. No entanto, “tem de ser pensado no projecto”.
Manuel Pinheiro realçou que a construção tradicional, que atendia às condições do clima, perdeu terreno, “mas está a ser retomada, a diferentes níveis” e começa a haver no mercado procura para este tipo de casa.
Fonte: Diário IOL - http://diario.iol.pt/
Os edifícios bioclimáticos permitem um ambiente mais confortável e gastam menos energia, sendo mais económicos, mas os portugueses ainda resistem a optar por estas casas, por falta de sensibilização e também pelo preço inicial, que pode ser mais elevado, escreve a Lusa.
A orientação do edifício, com as divisões mais utilizadas viradas a sul, a distribuição das áreas envidraçadas, a ventilação e a forma de utilizar os materiais são factores decisivos para obter uma casa bioclimática, ou seja, uma casa que «responde» bem às condições do clima, sem grandes necessidades energéticas.
Porém, na hora de comprar um imóvel, os portugueses não questionam a eficiência energética da construção, como já fazem quando adquirem um frigorífico, por exemplo. Estão mais preocupados com o preço e a localização do novo lar.
Segundo alguns técnicos do sector, as casas bioclimáticas apresentam um preço inicial mais elevado, um acréscimo recuperado a médio ou longo prazo, com a redução dos custos energéticos. Outras opiniões referem que se trata de usar os mesmos materiais, mas de forma diferente, o que não implica aumento de investimento.
“A arquitetura bioclimática consiste em projectar um edifício tendo em conta a sua envolvência climatérica e as características do local» de modo a «maximizar o conforto ambiental no interior”, na temperatura e humidade, mas também na acústica, luminosidade e qualidade do ar, referiu à Lusa o director técnico da consultora Carbono Verde, Pedro Carvalho.
Pretende-se “ter o máximo conforto térmico com o mínimo consumo de energia”, resumiu o técnico, salientando que não basta passar a habitar um edifício bioclimático, é “fundamental” que os consumidores saibam utilizá-lo, caso contrário “pode gastar-se tanto como uma casa não bioclimática”.
O responsável pelo sistema de avaliação de sustentabilidade LiderA, Manuel Pinheiro, defendeu que “fazer casas bioclimáticas não é mais caro do que fazer das outras”, já que se trata de optar por uma forma de construção, tendo cuidado com alguns pontos, como a orientação do edifício ou o isolamento. No entanto, “tem de ser pensado no projecto”.
Manuel Pinheiro realçou que a construção tradicional, que atendia às condições do clima, perdeu terreno, “mas está a ser retomada, a diferentes níveis” e começa a haver no mercado procura para este tipo de casa.
Fonte: Diário IOL - http://diario.iol.pt/
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
A Minha Mensagem para os Leitores deste Blog
Bem antes de mais, quero apresentar-me:
Chamo-me Lénia e esta Semana comecei uma Especialização em Planeamento de Construção Sustentável.
A minha área que me apaixona é o Turismo, mas entrei neste curso, porque não concordo com o que se têm feito, por este país e pelo mundo, na construção e que têm feito e reflectido na minha área e que faz por vezes perder Turistas no nosso país.
Ao estar no meio de 14 Arquitectos e com 11 Eng.Civis, posso dizer-vos que eles estão de acordo comigo, e que querem mudar a arquitectura.
Posso ainda dizer-vos que quando disse na aula que gostava de mudar as suas mentes, eles viraram-se para mim e disseram-me que quem é culpado dos erros na construção são os Presidentes das Câmara Municipais das Regiões.
Até aí eu concordo com eles, porque já fiz uma crítica ao Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, porque até hoje está a deixar que o património da Praia da Tocha que são os Palheiros da Tocha (que já anos antes a praia até tinha este nome; mas que devido a interesses económicos de destruir, o património desta praia, viraram o nome para Praia da Tocha, para não virem a terem problemas, e para cegarem os moradores da sua jogada e interesse ou estratégia de enriquecerem à custa dos construtores e à custa do povo, que cego, não capta as borradas que ali se faz).
Hoje encontro-me no Algarve a tirar este curso e outro, porque adoro ver o meu país a crescer, mas não com obraS de betão, mas sim com obras sustentáveis e preocupadas com o ambiente.
Ao saber o que os Turistas procuram, procuro passar aos meus novos e futuros amigos, o que evolui uma zona, e o que neste momento os turistas procuram, pois o Algarve e algumas outras regiões estão a perder com as novas obras que têm feito, e que têm vindo a destruir, o que é de mais belo e sustentável.
Por isso, vou deixar-vos aqui algumas das pesquisas feitas por mim, ligadas a tudo que têm haver com arquitectura e com os seus elementos, como entrevistas a arquitectos e muito mais.
Quero ainda dizer-vos que desde criança que adoro Artes, sempre contruí algo, sempre fiz a minha própria casa até para brincar no pinhal ao lado da minha casa que hoje já não existe, e fi-la com sustentabilidade, pois não havia dinheiro para termos casas compradas, então criei-a, e pedi ajuda ao meu vizinho.
Como gosto de criar, na minha tese vou defender a construção em Empreendimentos Turísticos no Mundo do Golf, que é um sector que me fascina desde criança e que até em criança criei um taco e jogava sem saber o nome deste desporto.
Tudo que fiz em criança, hoje estou metida e estou-me a realizar, quero ainda dizer-vos que espero ter excelentes arquitectos ao meu lado, e alguns a desenharem algumas das obras que eu mesma quero ver feitas, e realizadas, pois além de uma fundação e além de uma empresa de eventos, quero ajudar a mudar o mundo nos empreendimentos e ainda o mundo na miséria, que precisam de nós, em diversos sectores, tal como nestes e com casas sustentáveis.
Espero trabalhar com alguns destes arquitectos e na minha tese mostrar-vos uma obra sustentável para implementarem, nesta zona onde estou ou noutra, mas farei um estudo na região.
Espero que gostem deste blog Sustentável e Criativo e acima de tudo alerta-vos, para melhorarem na Construção Sustentável neste país.
Muito obrigado a todos pela vossa atenção e pelo vosso interesse pela Sustentabilidade na construção,
Lénia
Chamo-me Lénia e esta Semana comecei uma Especialização em Planeamento de Construção Sustentável.
A minha área que me apaixona é o Turismo, mas entrei neste curso, porque não concordo com o que se têm feito, por este país e pelo mundo, na construção e que têm feito e reflectido na minha área e que faz por vezes perder Turistas no nosso país.
Ao estar no meio de 14 Arquitectos e com 11 Eng.Civis, posso dizer-vos que eles estão de acordo comigo, e que querem mudar a arquitectura.
Posso ainda dizer-vos que quando disse na aula que gostava de mudar as suas mentes, eles viraram-se para mim e disseram-me que quem é culpado dos erros na construção são os Presidentes das Câmara Municipais das Regiões.
Até aí eu concordo com eles, porque já fiz uma crítica ao Presidente da Câmara Municipal de Cantanhede, porque até hoje está a deixar que o património da Praia da Tocha que são os Palheiros da Tocha (que já anos antes a praia até tinha este nome; mas que devido a interesses económicos de destruir, o património desta praia, viraram o nome para Praia da Tocha, para não virem a terem problemas, e para cegarem os moradores da sua jogada e interesse ou estratégia de enriquecerem à custa dos construtores e à custa do povo, que cego, não capta as borradas que ali se faz).
Hoje encontro-me no Algarve a tirar este curso e outro, porque adoro ver o meu país a crescer, mas não com obraS de betão, mas sim com obras sustentáveis e preocupadas com o ambiente.
Ao saber o que os Turistas procuram, procuro passar aos meus novos e futuros amigos, o que evolui uma zona, e o que neste momento os turistas procuram, pois o Algarve e algumas outras regiões estão a perder com as novas obras que têm feito, e que têm vindo a destruir, o que é de mais belo e sustentável.
Por isso, vou deixar-vos aqui algumas das pesquisas feitas por mim, ligadas a tudo que têm haver com arquitectura e com os seus elementos, como entrevistas a arquitectos e muito mais.
Quero ainda dizer-vos que desde criança que adoro Artes, sempre contruí algo, sempre fiz a minha própria casa até para brincar no pinhal ao lado da minha casa que hoje já não existe, e fi-la com sustentabilidade, pois não havia dinheiro para termos casas compradas, então criei-a, e pedi ajuda ao meu vizinho.
Como gosto de criar, na minha tese vou defender a construção em Empreendimentos Turísticos no Mundo do Golf, que é um sector que me fascina desde criança e que até em criança criei um taco e jogava sem saber o nome deste desporto.
Tudo que fiz em criança, hoje estou metida e estou-me a realizar, quero ainda dizer-vos que espero ter excelentes arquitectos ao meu lado, e alguns a desenharem algumas das obras que eu mesma quero ver feitas, e realizadas, pois além de uma fundação e além de uma empresa de eventos, quero ajudar a mudar o mundo nos empreendimentos e ainda o mundo na miséria, que precisam de nós, em diversos sectores, tal como nestes e com casas sustentáveis.
Espero trabalhar com alguns destes arquitectos e na minha tese mostrar-vos uma obra sustentável para implementarem, nesta zona onde estou ou noutra, mas farei um estudo na região.
Espero que gostem deste blog Sustentável e Criativo e acima de tudo alerta-vos, para melhorarem na Construção Sustentável neste país.
Muito obrigado a todos pela vossa atenção e pelo vosso interesse pela Sustentabilidade na construção,
Lénia
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